Um ciclone pode estar a caminho. E tudo indica que ele será forte.
Imagine acordar em uma manhã aparentemente comum e perceber que o vento começa a soprar mais pesado, as nuvens se adensam e o ar ganha aquela sensação elétrica que antecede grandes tempestades. Para quem mora no Sul do Brasil, essa cena pode se tornar realidade na próxima semana, segundo alertas recentes da MetSul Meteorologia.
Os meteorologistas identificaram um padrão atmosférico que merece atenção redobrada. Diferentes modelos internacionais estão apontando para a formação de um ciclone intenso sobre o Rio Grande do Sul, com potencial para provocar chuva volumosa, rajadas violentas e tempestades severas.
“A MetSul Meteorologia alerta para um cenário de grande perigo, com risco de instabilidade extrema e vento intenso”, destaca o boletim oficial.
Como esse ciclone pode se formar?
O sistema começa muito antes de chegar ao Brasil. Uma área de baixa pressão em altitude avança do Pacífico em direção ao Chile. Depois, cruza a Cordilheira dos Andes e segue pela Argentina até se acoplar a outra baixa pressão que se desloca pelo Paraguai em direção ao Oeste do Rio Grande do Sul.
Essa combinação cria o ambiente perfeito para a ciclogênese, que é o processo de formação de um ciclone. Segundo a MetSul, essa etapa deve ocorrer entre terça e quarta-feira, dias 9 e 10.
Pressão atmosférica deve despencar
Quando o ar começa a “cair” na pressão, o tempo costuma “subir” em intensidade. E é exatamente isso que as simulações meteorológicas mostram.
Modelos como o GFS dos Estados Unidos e o ECMWF da Europa projetam valores de pressão extremamente baixos em grande parte do Rio Grande do Sul, algo pouco comum até mesmo em eventos de inverno.
“Há projeções de pressão atmosférica perto de 990 hPa em áreas do Sul gaúcho, o que é atipicamente baixo”, informa a MetSul.
Essa queda acentuada favorece tempestades profundas, muita chuva e ventos capazes de causar danos.
Risco de tempestades severas e vento extremo
Se as projeções atuais se mantiverem, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste podem enfrentar uma verdadeira onda de tempestades na próxima terça-feira.
Há possibilidade de formação de supercélulas, um dos tipos de tempestade mais perigosos, associadas a vendavais intensos e granizo.
Os ventos podem alcançar entre 60 km/h e 80 km/h em boa parte do Rio Grande do Sul, com rajadas que podem passar dos 100 km/h nas áreas Sul e Leste do estado. Esses valores, caso confirmados, têm potencial para causar queda de árvores, destelhamentos e impactos significativos no sistema elétrico.
Chuva intensa em várias regiões
Outro ponto de atenção é a chuva forte. Alguns setores podem receber entre 100 mm e 200 mm em poucas horas, especialmente nas regiões próximas ao centro do ciclone. Esses volumes podem gerar alagamentos e transtornos urbanos.
Estados com maior risco de chuva intensa
Entre os dias 8 e 15 de dezembro, a previsão indica volumes elevados de precipitação em:
- Mato Grosso
- Mato Grosso do Sul
- Oeste de Minas Gerais
- Paraná
- São Paulo
Quando o sistema deve enfraquecer?
A MetSul explica que o ciclone deve se afastar rapidamente do continente entre a noite de quarta-feira e a manhã de quinta-feira, seguindo em direção ao oceano. Ainda assim, o Leste do Rio Grande do Sul pode enfrentar vento e instabilidade até o começo do dia 11.
“Recomendamos acompanhamento constante dos boletins meteorológicos, já que ajustes nas previsões ainda podem ocorrer”, reforça a MetSul Meteorologia.
Fique atento aos próximos boletins
Como todo fenômeno dessa magnitude, detalhes podem mudar conforme novos dados chegam. O importante é acompanhar as atualizações e seguir as recomendações de segurança. Os próximos dias serão decisivos para entender a força exata do ciclone.