Imagine comprar uma blusinha, um fone de ouvido ou aquele acessório barato em uma plataforma internacional e descobrir que a velha discussão sobre impostos voltou, mas com outro nome. Depois de idas e vindas da chamada taxa das blusinhas, uma nova sigla começa a entrar no radar dos consumidores brasileiros: CBS.
A Contribuição sobre Bens e Serviços faz parte da reforma tributária sobre o consumo e deve ganhar peso a partir de 2027. Na prática, ela pode voltar a criar uma cobrança federal sobre compras internacionais de baixo valor, só que em um modelo diferente daquele imposto de importação de 20% aplicado anteriormente às encomendas de até US$ 50.
O assunto parece técnico, mas afeta uma cena muito comum: consumidores brasileiros comprando produtos em plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e outras lojas estrangeiras. A pergunta agora é simples: a taxa das blusinhas acabou de vez ou apenas voltou com outro nome?
A CBS pode mudar a forma como o Brasil cobra tributos sobre compras internacionais, colocando produtos nacionais e importados dentro de uma mesma lógica de tributação.

Ou seja, a discussão deixa de ser apenas sobre pequenas encomendas e passa a fazer parte de um desenho maior da reforma tributária brasileira
O que é a CBS e por que ela afeta compras internacionais?
A CBS é um tributo federal criado dentro da reforma tributária. Ela foi desenhada para substituir cobranças federais sobre o consumo, simplificando parte do sistema atual e integrando uma nova estrutura de impostos no país.
O ponto central é que a CBS não deve valer apenas para produtos brasileiros. A ideia é que ela também incida sobre produtos importados, seguindo a lógica de isonomia tributária defendida por setores do varejo e da indústria nacional.
Na prática, isso significa que compras internacionais de baixo valor poderão voltar a ter cobrança federal a partir de 2027, mas não necessariamente com a mesma regra da antiga taxa das blusinhas.
Antes, a polêmica girava em torno do imposto de importação de 20% para encomendas de até US$ 50. Com a CBS, a lógica muda: a cobrança passa a fazer parte do novo modelo tributário criado pela reforma.
A CBS será igual à antiga taxa das blusinhas?
Não exatamente.
A antiga taxa das blusinhas era um imposto de importação aplicado sobre compras internacionais de baixo valor. Ela ficou famosa porque atingia principalmente produtos baratos comprados em plataformas estrangeiras, especialmente roupas, acessórios, eletrônicos simples e itens de consumo popular.
Já a CBS tem outra natureza. Ela não é apenas uma taxa específica para importados pequenos, mas um tributo federal sobre consumo. A diferença é importante porque a cobrança não dependeria da mesma lógica do limite de US$ 50.
Ou seja, a discussão deixa de ser apenas sobre pequenas encomendas e passa a fazer parte de um desenho maior da reforma tributária brasileira.
Qual será a alíquota da CBS?
A alíquota final da CBS ainda não está definida.
A definição deve ocorrer até o fim de 2026, com base nos cálculos da Receita Federal, em diálogo com o Tribunal de Contas da União e dentro das regras estabelecidas pela reforma tributária.
Estimativas citadas no debate público indicam que a CBS pode ficar próxima de 9% em 2027, mas esse número ainda não é oficial. O valor final dependerá da regulamentação e da resolução que deverá ser definida pelo Senado.
Esse ponto é essencial, porque o impacto no bolso do consumidor dependerá justamente da alíquota escolhida e da forma como ela será somada a outros tributos.
CBS não será o único imposto nas compras internacionais
Um detalhe importante é que a CBS não deve aparecer sozinha.
As compras internacionais ainda podem estar sujeitas ao ICMS, imposto estadual que hoje incide sobre encomendas importadas. Atualmente, as alíquotas estaduais aplicadas a importações de baixo valor variam conforme o estado.
Com a reforma tributária, o ICMS e o ISS serão substituídos gradualmente pelo IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços de competência estadual e municipal. Essa transição deve acontecer entre 2029 e 2032.
No futuro, portanto, o consumidor poderá ver uma combinação entre CBS, na esfera federal, e IBS, na esfera estadual e municipal.
Para quem compra online, o ponto mais importante será observar o preço final no carrinho, já com tributos destacados, frete e eventuais cobranças incluídas.
Por que o varejo defende a cobrança da CBS?
Parte do varejo brasileiro defende a cobrança da CBS sobre compras internacionais com o argumento de que produtos importados de baixo valor competem em condições desiguais com empresas nacionais.
A lógica apresentada por esse setor é que uma loja brasileira paga tributos, encargos trabalhistas, custos logísticos internos e segue regras fiscais locais. Já plataformas internacionais, segundo essa visão, conseguiam oferecer preços mais baixos porque parte das encomendas recebia tratamento tributário mais leve.
Para entidades do varejo, a aplicação da CBS ajudaria a equilibrar a disputa.
Do outro lado, consumidores criticam a medida por considerar que ela encarece produtos populares e reduz o acesso a itens mais baratos, principalmente para quem depende de plataformas internacionais para economizar.

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O consumidor vai pagar mais caro?
Essa é a grande pergunta.
A resposta depende da alíquota final da CBS, da manutenção de outros impostos, da política de preços das plataformas e do comportamento do varejo nacional.
Em tese, qualquer novo tributo tende a pressionar o preço final. Porém, empresas podem absorver parte do custo, repassar integralmente ao consumidor ou ajustar promoções, fretes e descontos para manter competitividade.
O que parece mais provável é que o consumidor passe a prestar ainda mais atenção ao valor total da compra, e não apenas ao preço anunciado do produto.
O que muda a partir de 2027?
A partir de 2027, a CBS deve ganhar aplicação mais efetiva dentro da nova estrutura tributária. Isso significa que compras internacionais podem voltar a ter cobrança federal, mas em um formato diferente da antiga taxa das blusinhas.
A mudança também deve tornar mais comum a visualização dos tributos de forma destacada no momento da compra. Para o consumidor, isso pode trazer mais transparência, mas também uma percepção maior do peso dos impostos no preço final.
O debate envolve três interesses ao mesmo tempo: o bolso do consumidor, a competitividade do comércio brasileiro e a arrecadação do governo.
Para quem compra em sites internacionais, o recado é claro: a discussão ainda não terminou. A taxa das blusinhas pode ter saído de cena em um formato, mas a CBS mostra que a tributação das compras online seguirá no centro das atenções.
No fim, a dúvida que fica é: a nova cobrança vai equilibrar a concorrência ou apenas tornar mais caro o carrinho de compras do brasileiro?