Brasil desperdiça 6 mil piscinas de água tratada por dia

Brasil desperdiça 6 mil piscinas de água tratada por dia

Entenda por que o Brasil perde quase metade da água tratada antes da torneira.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

A água que some antes de chegar: para onde vão 6 mil piscinas por dia?

Imagine acordar e descobrir que, enquanto você dormia, milhares de piscinas olímpicas simplesmente desapareceram. Não por magia ou ficção científica, mas por vazamentos, falhas e infraestrutura antiga.
Essa é a realidade do Brasil todos os dias.

O Estudo de Perdas de Água 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, revela um cenário que parece impossível de acreditar. Mas é real, mensurável e assustador.

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O Brasil perde diariamente o equivalente a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada

 

O tamanho do desperdício: 6.346 piscinas por dia

De acordo com o levantamento, o Brasil perde diariamente o equivalente a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada antes mesmo que ela alcance as torneiras.

“Perdemos diariamente mais de 6,3 mil piscinas de água potável, um exemplo alarmante de ineficiência”, afirma Luana Pretto, presidente do Trata Brasil.

Em números absolutos, o país desperdiçou 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada em um único ano. Esse volume seria suficiente para abastecer cerca de 50 milhões de pessoas.

Índice de perdas está acima do permitido por lei

As perdas totais representam 40,31 por cento de toda a água produzida no Brasil. A porcentagem fica bem acima da meta de 25 por cento definida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

E o mapa das perdas mostra desigualdade.
Regiões inteiras perdem quase metade da água que produzem.

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Regiões inteiras perdem quase metade da água que produzem

 

Norte e Nordeste lideram as perdas; Goiás é destaque positivo

Os piores índices estão nas regiões Norte e Nordeste, com perdas de 49,78 por cento e 46,25 por cento, respectivamente.
Alguns estados se destacam negativamente, como:

  • Alagoas 69,86 por cento

  • Roraima 62,51 por cento

  • Acre 62,25 por cento

Já entre os melhores indicadores estão:

  • Goiás 25,68 por cento

  • Distrito Federal 31,46 por cento

  • São Paulo 32,66 por cento

Por que essa água se perde?

Perda de água é um termo amplo. Ele abrange desde vazamentos invisíveis debaixo das ruas até consumos não autorizados, além de erros de medição.

Segundo o estudo, mais da metade das perdas são físicas, principalmente causadas por vazamentos subterrâneos. Só essa categoria ultrapassa 3 bilhões de metros cúbicos por ano.

Esse volume sozinho garantiria água para 17,2 milhões de pessoas em comunidades vulneráveis por quase dois anos.

Impactos ambientais e econômicos: um efeito dominó

Perder água tratada significa perder muito mais do que água.
O estudo mostra que as perdas geram custos adicionais com químicos, energia elétrica, manutenção e captação excessiva de mananciais.

E o impacto ambiental é direto.
Quando o sistema precisa captar mais água do que a população realmente consome, os rios sofrem, a disponibilidade hídrica diminui e o custo para operar o sistema aumenta.

Em um país onde secas prolongadas, calor extremo e alterações no regime de chuvas são cada vez mais frequentes, esse desperdício acelera o colapso.

Um problema social: 34 milhões ainda não têm acesso à água tratada

Mesmo com tanto desperdício, cerca de 34 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso regular à água potável.
É paradoxal.
É injusto.
E mostra o tamanho da urgência.

“Investir na redução de perdas e modernizar a infraestrutura não é apenas necessário, mas urgente”, reforça o estudo.

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Cerca de 34 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso regular à água potável

 

Se o Brasil cumprisse a meta: quanto economizaríamos?

Se o país reduzisse o índice de perdas para os 25 por cento previstos em norma, economizaria 1,9 bilhão de metros cúbicos de água por ano.
É o equivalente ao consumo de 31 milhões de pessoas.

Além disso, o ganho econômico estimado chega a 17 bilhões de reais até 2033, ampliando a resiliência dos municípios e fortalecendo o abastecimento de água em meio ao avanço das mudanças climáticas.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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