Alguns casais compartilham o mesmo transtorno psiquiátrico

Alguns casais compartilham o mesmo transtorno psiquiátrico

Estudo mostra que pessoas com diagnósticos psiquiátricos tendem a se unir em relacionamentos com parceiros semelhantes.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou casais que compartilham os mesmos transtornos mentais?

Você já ouviu a frase “os opostos se atraem”? Pois é, a ciência mostra que, quando o assunto é saúde mental, a realidade pode ser exatamente o contrário. Um estudo gigantesco, que analisou quase 15 milhões de pessoas, revelou que indivíduos com transtornos psiquiátricos tendem a escolher parceiros que também possuem diagnósticos semelhantes.

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Indivíduos com transtornos tendem a escolher parceiros com diagnóstico semelhante

 

O que a pesquisa descobriu

Publicado na revista Nature Human Behaviour, o estudo mostrou que pessoas com esquizofrenia, depressão, ansiedade, TOC, TDAH, autismo, transtorno bipolar, anorexia ou dependência química tinham mais chance de se casar com alguém que também apresenta a mesma condição ou algo dentro do mesmo espectro.

Ou seja, não é apenas coincidência: existe um padrão que se repete em diferentes épocas e contextos sociais.

Por que isso acontece

Segundo os pesquisadores, isso pode ter várias explicações. Uma delas é o fenômeno da homofilia, que é a tendência natural de nos conectarmos com pessoas semelhantes a nós. Além disso, compartilhar um diagnóstico pode gerar mais empatia, compreensão e até reduzir julgamentos dentro da relação.

Curiosamente, essa afinidade pode fortalecer o vínculo emocional do casal, mas também aumenta os riscos para os filhos. O estudo revelou que crianças com pai e mãe diagnosticados com o mesmo transtorno têm o dobro de chances de desenvolver a condição.

Uma curiosidade importante

Esse padrão não significa que quem tem um transtorno mental necessariamente buscará alguém igual, mas os números mostram que existe uma inclinação forte nesse sentido. É quase como se o cérebro identificasse familiaridade no outro e transformasse isso em conexão afetiva.

A pesquisa ainda levanta debates sobre genética, ambiente familiar e até sobre como o amor pode se formar a partir de experiências compartilhadas, mesmo quando essas experiências são desafiadoras.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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