Imagine sair de casa ao anoitecer, olhar para o horizonte e perceber que o céu parece mais “movimentado” do que o normal. Pontos brilhantes surgem um após o outro, formando um arco silencioso que atravessa o crepúsculo. Não é imaginação, nem coincidência. É um dos espetáculos mais fascinantes da astronomia acontecendo diante dos nossos olhos.
Nos últimos dias de fevereiro e nas primeiras semanas de março de 2026, seis planetas poderão ser observados logo após o pôr do Sol em várias regiões do mundo. O fenômeno ficou conhecido como alinhamento planetário, mas os especialistas preferem um nome mais poético e mais preciso: desfile de planetas.

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O que é o chamado alinhamento planetário?
Apesar do nome sugerir que os planetas ficam enfileirados no espaço, o fenômeno não funciona exatamente assim. Na prática, eles continuam em suas órbitas normais ao redor do Sol, cada um em sua própria posição.
O que muda é a perspectiva.
Como os planetas orbitam o Sol em trajetórias que estão quase no mesmo plano, quando vistos da Terra eles podem parecer próximos uns dos outros no céu, formando uma espécie de faixa luminosa.
O alinhamento planetário não é um encontro real no espaço, mas um efeito visual causado pela posição da Terra dentro do Sistema Solar.
Por isso, muitos astrônomos preferem o termo “desfile planetário”, já que ele descreve melhor a sensação de ver vários mundos aparecendo juntos na mesma região do céu.

O alinhamento planetário não é um encontro real no espaço, mas um efeito visual causado pela posição da Terra
Quais planetas estarão visíveis?
Durante esse período, seis planetas participam do espetáculo:
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Mercúrio
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Vênus
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Saturno
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Júpiter
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Urano
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Netuno
Entre eles, quatro podem ser observados a olho nu. Vênus será o destaque, aparecendo como o ponto mais brilhante no início da noite. Logo depois, Júpiter também se destaca com facilidade.
Saturno apresenta um brilho mais discreto, mas ainda visível em condições de céu limpo. Já Mercúrio é o mais desafiador, pois aparece próximo ao horizonte e permanece visível por poucos minutos antes de desaparecer no brilho do crepúsculo.
Urano e Netuno exigem binóculos ou telescópio, já que seu brilho é fraco e eles não se diferenciam facilmente das estrelas.
Quando observar o fenômeno?
A melhor data para observação global foi indicada como 28 de fevereiro de 2026. No entanto, o fenômeno não acontece apenas em um dia específico. Ele pode ser observado por várias noites entre o fim de fevereiro e o início de março.
O melhor momento é cerca de uma hora após o pôr do Sol, quando o céu já está escuro o suficiente, mas os planetas ainda estão acima do horizonte.
No Brasil, a observação pode variar de acordo com a região. Em áreas do Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, o agrupamento pareceu mais compacto em torno dos dias 24 e 25 de fevereiro.
Mesmo assim, ainda vale a pena olhar para o céu nas próximas semanas. Em 7 de março, três planetas, Vênus, Saturno e Netuno, estarão ainda mais próximos visualmente, formando uma cena interessante no horizonte.

A melhor data para observação global foi indicada como 28 de fevereiro de 2026
Onde olhar no céu?
Para aumentar as chances de observar o desfile planetário, algumas dicas simples fazem toda a diferença:
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Procure um local com horizonte oeste livre de prédios ou montanhas
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Observe logo após o pôr do Sol
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Evite áreas com muita poluição luminosa
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Aguarde alguns minutos para que seus olhos se adaptem à escuridão
Os planetas aparecerão distribuídos ao longo de uma faixa inclinada no céu, formando um arco que acompanha a linha do horizonte.
Por que esse fenômeno chama tanta atenção?
Eventos como esse despertam curiosidade porque não acontecem com frequência. Embora alinhamentos parciais sejam relativamente comuns, reunir vários planetas visíveis ao mesmo tempo é algo especial.
Além disso, o horário facilita a observação. Diferente de muitos fenômenos astronômicos que exigem madrugadas frias ou longas esperas, esse espetáculo acontece no início da noite, em um momento acessível para a maioria das pessoas.
O céu não muda apenas para os astrônomos. Em noites como essas, qualquer pessoa pode testemunhar a dinâmica do Sistema Solar com os próprios olhos.
Existe também um fator emocional. Ver planetas que normalmente aparecem isolados surgindo juntos reforça a sensação de escala e movimento do universo.

Eventos como esse despertam curiosidade porque não acontecem com frequência
Um convite para olhar para cima
Vivemos em uma rotina acelerada, cercada por telas, notificações e luzes artificiais. Muitas vezes, esquecemos que, acima de nós, um espetáculo silencioso acontece todos os dias.
O desfile de planetas de 2026 é mais do que um evento astronômico. É um convite para desacelerar por alguns minutos, observar o céu e lembrar que fazemos parte de algo muito maior.
Basta sair de casa, olhar para o horizonte e deixar o universo fazer o resto.