Em poucas horas, o céu de várias cidades do Oriente Médio foi cortado por sirenes, explosões e o rastro de mísseis. O que parecia mais uma rodada de negociações diplomáticas virou, de repente, uma das maiores escaladas militares da região nos últimos anos.
Mas como o mundo chegou até aqui? E por que, mesmo com conversas em andamento, Estados Unidos e Israel decidiram fazer ataques ao Irã?
A resposta está em uma sequência de eventos que começou muito antes das explosões.

Mesmo com conversas em andamento, Estados Unidos e Israel decidiram fazer ataques ao Irã
O que aconteceu em 28 de fevereiro de 2026?
No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques ao Irã, contra alvos coordenados, incluindo instalações militares e estruturas relacionadas ao programa nuclear.
Autoridades israelenses afirmaram que as operações tinham como objetivo reduzir capacidades estratégicas do Irã. Já o governo norte-americano classificou a ação como uma operação militar de grande escala para eliminar ameaças à segurança.
A resposta veio rapidamente. O Irã lançou mísseis e ataques aéreos em diversos pontos da região, atingindo áreas em Israel e também em países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.
O resultado imediato foi o fechamento de espaços aéreos, medidas de emergência e um clima de alerta em toda a região.
Quando a diplomacia falha em um cenário de alta tensão, o conflito pode surgir em questão de horas.

Uma coluna de fumaça se eleva após uma explosão em Teerã, em 28 de fevereiro de 2026. | Crédito: ATTA KENARE / AFP
A crise começou agora? Não exatamente
A escalada de 2026 é, na verdade, o capítulo mais recente de uma tensão que vem crescendo desde o ano anterior.
Em junho de 2025, Israel realizou uma grande ofensiva contra instalações nucleares e militares iranianas. O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones contra cidades israelenses.
Dias depois, os Estados Unidos também atacaram instalações nucleares em Natanz, Fordow e Isfahan, alegando que as operações haviam prejudicado o programa nuclear iraniano.
Após 12 dias de confrontos, um cessar-fogo mediado pelos EUA encerrou temporariamente as hostilidades. Mas a trégua era frágil.
Ataques ao Irã: O papel do programa nuclear iraniano
No centro de toda a crise está o programa nuclear do Irã. Países ocidentais temem que o enriquecimento de urânio possa levar ao desenvolvimento de armas nucleares.
O governo iraniano, por sua vez, afirma que o programa tem fins pacíficos e que não pretende abrir mão da tecnologia.
Após os ataques de 2025, o Irã chegou a suspender a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica, dificultando inspeções e aumentando a desconfiança internacional.
Esse movimento ampliou a pressão diplomática e econômica, incluindo a retomada de sanções internacionais.

Ataques ao Irã: entenda a escalada que levou à guerra
As negociações que quase evitaram o conflito
Em fevereiro de 2026, Estados Unidos e Irã iniciaram uma nova rodada de negociações indiretas em Genebra, com mediação de Omã.
As conversas buscavam um acordo para limitar o programa nuclear iraniano em troca de alívio nas sanções. Houve sinais de progresso, e até a possibilidade de redução dos estoques de material nuclear foi discutida.
No dia 27 de fevereiro, autoridades chegaram a afirmar que avanços importantes haviam sido feitos.
Mas a confiança era limitada. O presidente norte-americano declarou que preferia a via diplomática, mas que todas as opções continuavam sobre a mesa.
Menos de 24 horas depois, vieram os ataques.
Por que a situação se agravou tão rápido?
Além da questão nuclear, outros fatores contribuíram para o aumento da tensão.
O Irã enfrentava protestos internos por causa da crise econômica e da desvalorização da moeda. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçavam sua presença militar na região.
Israel, por sua vez, vinha alertando que não aceitaria qualquer avanço nuclear iraniano, independentemente do resultado das negociações.
O cenário era de pressão máxima em várias frentes ao mesmo tempo.
Em conflitos geopolíticos, o perigo não está apenas nas decisões isoladas, mas na soma de tensões acumuladas ao longo do tempo.
O impacto regional e global
A resposta iraniana não ficou restrita a um único país. Ataques foram direcionados a diferentes pontos estratégicos do Oriente Médio, ampliando o risco de um conflito regional mais amplo.
Diversos países fecharam seus espaços aéreos, e governos ao redor do mundo passaram a monitorar a situação com preocupação.
Além do risco militar, a escalada também pode afetar o mercado global de petróleo, cadeias de transporte e a estabilidade econômica internacional.
Isso acontece porque o Oriente Médio continua sendo uma das regiões mais estratégicas do planeta em termos de energia e logística.
O que pode acontecer agora?
Apesar da intensidade dos ataques, especialistas avaliam que o cenário ainda pode evoluir em diferentes direções.
Uma possibilidade é a contenção do conflito, com pressões internacionais para retomar negociações. Outra é uma escalada maior, caso novos ataques ou retaliações ocorram.
O histórico recente mostra que a região vive em um equilíbrio instável, onde períodos de diálogo e tensão se alternam rapidamente.
O episódio de fevereiro de 2026 deixa uma lição importante.
Em um mundo interconectado, crises locais podem ter efeitos globais em questão de horas.
E, muitas vezes, a linha entre negociação e conflito é mais frágil do que parece.