Ciclone subtropical coloca 9 estados em alerta no Brasil

Ciclone subtropical coloca 9 estados em alerta no Brasil


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

O céu começa a escurecer, a chuva não dá trégua e o volume de água parece maior a cada hora. Em algumas cidades, ruas viram rios e o solo já não consegue absorver mais nada. Agora imagine esse cenário se repetindo em vários estados ao mesmo tempo. É exatamente isso que meteorologistas estão monitorando com a formação de um novo ciclone subtropical no Atlântico, capaz de provocar acumulados históricos de chuva e elevar o risco de alagamentos e deslizamentos em diferentes regiões do Brasil.

O sistema começou como uma área de baixa pressão e deve se intensificar entre o fim de fevereiro e o início de março. Mesmo sem atingir diretamente o continente, sua influência pode ser sentida em uma grande faixa do território nacional.

Um ciclone não precisa tocar a terra para causar impactos. Quando ele se forma no oceano, pode funcionar como uma enorme bomba de umidade, alimentando dias seguidos de chuva intensa.

Um ciclone não precisa tocar a terra para causar impactos

Um ciclone não precisa tocar a terra para causar impactos

O que é um ciclone subtropical?

Diferente dos furacões tropicais clássicos, os ciclones subtropicais se formam em latitudes intermediárias, geralmente entre 20° e 40°. Eles possuem características híbridas, combinando elementos dos sistemas tropicais e extratropicais.

Na prática, isso significa que o fenômeno pode intensificar ventos, organizar grandes áreas de chuva e alterar o padrão atmosférico por vários dias. No caso atual, o ciclone deve permanecer sobre o mar, a leste da costa do Sudeste, mas sua circulação está puxando umidade da Amazônia para o Sudeste e parte do Nordeste.

Esse mecanismo, conhecido como transporte de umidade em larga escala, é um dos principais responsáveis pelos volumes extremos previstos.

Os ciclones subtropicais se formam em latitudes intermediárias, geralmente entre 20° e 40°

Os ciclones subtropicais se formam em latitudes intermediárias, geralmente entre 20° e 40°

Quais estados estão no caminho do sistema?

Ao todo, nove estados estão sob atenção meteorológica devido à influência do ciclone:

  • São Paulo

  • Rio de Janeiro

  • Minas Gerais

  • Espírito Santo

  • Goiás

  • Tocantins

  • Bahia

  • Maranhão

  • Piauí

As áreas mais vulneráveis são aquelas com solo já encharcado ou histórico de encostas e ocupações em áreas de risco. Minas Gerais e São Paulo, por exemplo, já registraram ocorrências de deslizamentos e transtornos nos últimos dias.

No litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, rajadas de vento podem chegar a 70 km/h, enquanto os ventos mais fortes do sistema, que podem ultrapassar 100 km/h, devem permanecer em alto-mar.

Por que as chuvas podem ser tão intensas?

Os acumulados previstos chamam a atenção. Em algumas regiões, os volumes podem ultrapassar 200 milímetros em poucos dias. Em partes da Bahia, a estimativa chega a variar entre 200 e 400 milímetros.

Os números recentes ajudam a entender a dimensão do fenômeno. Em Juiz de Fora, Minas Gerais, foram registrados 292,4 mm em apenas três dias. O total acumulado no mês chegou a 733,6 mm, o maior volume mensal desde 1961.

Esse cenário extremo é resultado de uma combinação de fatores: circulação atmosférica global, temperaturas do oceano, relevo local e a atuação do próprio ciclone, que mantém o fluxo contínuo de umidade.

Quando o solo já está saturado, o risco não vem apenas da chuva que cai, mas da água que não tem mais para onde escoar.

Em algumas regiões, os volumes podem ultrapassar 200 milímetros em poucos dias

Em algumas regiões, os volumes podem ultrapassar 200 milímetros em poucos dias

O ciclone vai atingir o Brasil diretamente?

Apesar do nome assustar, os modelos meteorológicos indicam que o sistema deve permanecer sobre o oceano e se deslocar em direção ao leste. Isso reduz o risco de impactos diretos como os observados em ciclones extratropicais que atingem o Sul do país.

Ainda assim, o efeito indireto pode ser significativo. O principal problema não será o vento, mas a persistência da chuva por vários dias seguidos, o que aumenta a probabilidade de enchentes, enxurradas e deslizamentos.

O que esperar nos próximos dias?

A tendência é de tempo instável até o início da próxima semana, com períodos de chuva forte a intensa, principalmente em:

  • Norte de Minas Gerais

  • Leste e norte da Bahia

  • Partes do Centro-Oeste

  • Áreas do Nordeste

Rodovias podem ser bloqueadas por alagamentos ou deslizamentos, e áreas urbanas com drenagem precária devem enfrentar transtornos.

Diante desse cenário, a recomendação dos órgãos meteorológicos é acompanhar os alertas locais, evitar áreas de risco e redobrar a atenção em regiões de encosta ou próximas a rios.

Fenômenos como este mostram como o clima pode se reorganizar rapidamente e afetar milhões de pessoas ao mesmo tempo. E em um país de dimensões continentais como o Brasil, um ciclone no mar pode ser o suficiente para transformar o tempo em terra firme.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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