O Inmet emitiu alerta laranja, que indica perigo para chuvas intensas, válido até sexta-feira (27)

Ciclone e frente fria deixam 13 estados em alerta no Brasil

O que é um ciclone extratropical e por que preocupa? Quais estados estão em alerta de chuvas intensas?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

O céu escurece mais cedo, o vento muda de direção e, de repente, a chuva vem com força. Em poucos minutos, ruas alagam, a temperatura cai e o clima parece completamente diferente do que estava horas antes.

Esse cenário deve se repetir em várias regiões do país nos próximos dias. A combinação entre uma frente fria e a formação de um ciclone extratropical está colocando o Brasil em alerta para temporais, ventos fortes e grandes volumes de chuva.

E o que mais chama atenção é a escala do fenômeno: praticamente todo o território nacional deve sentir seus efeitos.

praticamente todo o território nacional deve sentir seus efeitos

Praticamente todo o território nacional deve sentir seus efeitos

O que está acontecendo com o clima no Brasil?

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma frente fria associada a um sistema de baixa pressão vindo da costa da Argentina começou a avançar sobre o país nesta semana.

Esse sistema favorece a formação de um corredor de umidade, que transporta grandes volumes de vapor d’água para o interior do continente. O resultado é o aumento do risco de tempestades, pancadas intensas e chuva volumosa.

Ao mesmo tempo, um ciclone extratropical deve se formar no Oceano Atlântico, na quarta-feira (25). Apesar de ser considerado de fraca intensidade em relação aos ventos, o fenômeno tem um papel importante: ele ajuda a organizar e concentrar a umidade, aumentando o potencial de chuva no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Quando calor, umidade e sistemas de baixa pressão se encontram, a atmosfera cria as condições perfeitas para temporais intensos.

Ao mesmo tempo, um ciclone extratropical deve se formar no Oceano Atlântico

Ao mesmo tempo, um ciclone extratropical deve se formar no Oceano Atlântico

Quais regiões estão em alerta?

O Inmet emitiu alerta laranja, que indica perigo para chuvas intensas, válido até sexta-feira (27). A previsão aponta volumes que podem chegar a 100 milímetros por dia, além de rajadas de vento de até 100 km/h.

Os estados sob alerta incluem:

  • Bahia

  • Distrito Federal

  • Espírito Santo

  • Goiás

  • Maranhão

  • Mato Grosso

  • Mato Grosso do Sul

  • Minas Gerais

  • Pará

  • Pernambuco

  • Piauí

  • Rio de Janeiro

  • São Paulo

  • Tocantins

Com exceção de Roraima, todos os estados brasileiros estão sob algum nível de atenção meteorológica ao longo da semana.

Em algumas cidades, os impactos já começaram a aparecer. Em Juiz de Fora, por exemplo, o alto volume de chuva levou à decretação de estado de calamidade pública após deslizamentos e alagamentos.

Por que um ciclone aumenta as chuvas?

Apesar do nome assustar, nem todo ciclone representa ventos destrutivos. No caso dos ciclones extratropicais, o principal efeito muitas vezes não é a força do vento, mas a dinâmica atmosférica que eles provocam.

Esse tipo de sistema atua como uma espécie de motor climático, puxando ar quente e úmido de uma região e canalizando essa umidade para outra. Quando esse ar carregado de vapor encontra instabilidade na atmosfera, as nuvens de tempestade se formam com mais facilidade.

Além disso, o contraste entre o ar frio da frente fria e o ar quente já presente no país intensifica as condições para chuvas fortes, descargas elétricas e rajadas de vento.

O contraste entre o ar frio da frente fria e o ar quente já presente no país intensifica as condições para chuvas fortes

O contraste entre o ar frio da frente fria e o ar quente já presente no país intensifica as condições para chuvas fortes

Vai esfriar também?

Sim. A frente fria também deve provocar queda nas temperaturas, principalmente no Sul e em áreas do Sudeste.

Nas regiões de maior altitude da Serra Gaúcha e Catarinense, as mínimas podem chegar a 9°C nos próximos dias. O ar frio também ajuda a manter o clima mais ameno após a passagem das chuvas.

No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, o cenário será diferente. A combinação entre o ar frio que chega e o calor já presente na região tende a aumentar a instabilidade, favorecendo temporais isolados, mas intensos.

A mistura de ar quente e úmido com a chegada de ar frio é uma das receitas clássicas para tempestades severas no Brasil.

Quais são os principais riscos?

Com volumes elevados de chuva em um curto período, os principais problemas esperados são:

  • Alagamentos urbanos

  • Transbordamento de rios e córregos

  • Deslizamentos de terra em áreas de encosta

  • Queda de árvores e postes

  • Interrupções no fornecimento de energia

Autoridades de defesa civil recomendam atenção redobrada, especialmente em regiões já vulneráveis a enchentes ou deslizamentos.

Evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores durante tempestades e acompanhar os alertas meteorológicos são medidas simples que podem fazer diferença.

Um alerta para a última semana de fevereiro

A última semana do mês começa com um cenário de forte instabilidade atmosférica em grande parte do país. Para áreas rurais, o excesso de chuva pode impactar lavouras e estradas. Nas cidades, o risco está relacionado à drenagem urbana e à infraestrutura.

Embora o ciclone extratropical em si seja considerado de baixa intensidade, o conjunto de fatores climáticos associados a ele cria condições favoráveis para eventos extremos localizados.

Em outras palavras, não é o ciclone isoladamente que preocupa, mas a atmosfera instável que ele ajuda a organizar.

Já imaginou isso?

Um sistema que se forma no oceano, a centenas de quilômetros da costa, capaz de mudar o tempo em praticamente todo o Brasil em poucos dias. É mais um lembrete de como a atmosfera funciona como um grande sistema conectado, onde tudo está, literalmente, no ar.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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